Não é necessário introdução para este texto dolorido.

A Fantástica Fábrica de Limões
Daniel Rodrigues Cavalcante
17/04/2011
A fantástica fábrica de chocolates está a alguns passos de mim. Ouço o som dos realejos e sinto o cheiro dos doces. Minha boca saliva e meu coração treme de ansiedade para entrar.
Estou acompanhado de vários amigos, todos correndo junto comigo e segurando-se na minha mão quando acham que vão cair.
Na intensidade do caminho, não vejo que uma lajota do caminho está faltante. Piso em falso e caio, me retorcendo. Eles continuam a correr, sem se importar com a pessoa que caiu. Esqueceram da mão amiga que se estendeu a eles, esqueceram do ombro amigo que eles puxaram quando se desequilibraram. Ali, de cara na poeira, vejo a multidão correndo para o paraíso das delícias com o mesmo ímpeto.
Ninguém volta. Ninguém ao menos olha para trás. Solitário, eu retorno para minha casa, manquitolando e me apoiando em qualquer canto, esperando o dia que a fábrica abrirá suas portas de novo.
De tanto amargor, talvez nem mesmo o riacho de chocolate ou a bala eterna terão como adoçar de volta minha ternura.
Que os aproveitadores, de mãos oportunistas e olhos seletivos, tenham a diabetes que merecem por comer tanto açúcar mesquinhamente.


Adorei a ideia, Daniel… A Fantástica Fabrica de Chocolates é um filme mágico, antes de mais nada, que tem uma série de significados. Nessas poucas linhas acho que conseguiu, muito bem, descrever um pouco do individualismo típico da nossa sociedade moderna, cartesiana, consumista, linear, e competitiva.
Abração!
Adorei o blog!